São dispositivos utilizados para minimizar os efeitos do ofuscamento ou da poluição sonora provocada pelos veículos automotores.
O dispositivo Antiofuscante é um dispositivo de proteção visual utilizado para eliminar ou minimizar o ofuscamento dos condutores, provocado pela luz dos faróis dos veículos que circulam no sentido oposto ou por interferências luminosas adjacentes à via. Também é utilizado para minimizar o incômodo causado a moradores lindeiros à via. A eliminação ou a minimização desse efeito é obtida pela vedação ou difusão da luz, trazendo benefícios diretos à segurança viária.
O dispositivo Antiofuscante podem ser: a) Chapa expandida, b) Lamela plástica;
Figura 8.1
O dispositivo antiofuscante é um conjunto de peças instalados na divisória de pistas de sentidos o minimizar o ofuscamento dos condutores provocado pela luz dos faróis dos veículos que circulam no sentido oposto ou em situações similares (Figura 8.1).
O dispositivo deve atender aos seguintes requisitos:
Proporcionar uma faixa de proteção visual com altura mínima de 1,75m do nível do solo, sem considerar o desnível e o afastamento entre as faixas de rodagem, nela incluída a altura de dispositivo de contenção veicular (defensa metálica ou barreira de concreto) porventura existente;
Possibilitar boa visibilidade lateral da pista oposta através de seus elementos;
Ser durável e resistente a intempéries e ação solar;
Ser projetada para resistir ao peso próprio, cargas acidentais, ação do vento e variações de temperatura;
Apresentar aspecto agradável, com elementos de cores neutras e foscas;
Permitir a travessia de pessoas de uma pista a outra, para trabalhos de manutenção, atendimento ou prestação de socorro em caso de acidente, através de abertura máxima de 1,0m em locais determinados em projeto.
Não utilizar peças ou conjuntos que possam representar perigo aos usuários da via em caso de acidentes e que possam agravar as suas consequências, conforme dispositivos de contenção previstos nas ABNT NBR 15486, ABNT NBR 14885 e ABNT NBR 6971.
A seguir, são apresentadas as características dos dispositivos mais utilizados:
Chapa expandida - confeccionada em aço-carbono e montada sobre sistema de contenção veicular. Deve ser instalado e fixado sobre barreira rígida ou defensas metálicas, desde que atenda aos requisitos estabelecidos nas ABNT NBR 15486, ABNT NBR 14885 e ABNT NBR 6971.
Lamela plástica - constituída por lâminas plásticas verticais de superfície lisa na cor verde, montadas sequencialmente sobre sistema de contenção veicular. A lamela deve ser moldada como peça única (distância ≤ 0,90cm).
Deve ser instalado e fixado sobre barreira rígida ou defensas metálicas, desde que atenda aos requisitos estabelecidos nas ABNT NBR 15486, ABNT NBR 14885 e ABNT NBR 6971.
Deve atender às normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
Os Dispositivos Antiofuscante devem ser utilizada no canteiro divisor de fluxos opostos de uma via, para bloquear a luz dos faróis dos veículos que provoca ofuscamento nos condutores dos veículos que transitam no sentido oposto, em local desprovido de iluminação pública e em locais onde ocorre ofuscamento devido a interferências luminosas adjacentes à via, tais como refletores de edificações, sistemas de sinalização de aeroportos e outros.
Pode também ser utilizada para minimizar o incômodo provocado pela luz dos faróis de veículos em moradores de edificações lindeiras à via.
A necessidade de seu uso deve levar em consideração a largura do canteiro divisor de pista, o Volume Diário Médio – VDM da via, a composição do tráfego, a geometria da via e o histórico de acidentes.
Deve ser instalados os dispositivos antiofuscantes sobre a base de dispositivos de contenção longitudinais (barreira de concreto ou defensa metálica) em canteiros ou faixas de segurança centrais das rodovias dotadas de duas pistas ou mais, bem como de sistemas antiofuscantes laterais em divisórias entre as vias principais e as vias marginais com fluxos opostos, sempre que houver a necessidade de bloquear o ofuscamento causado pelo fluxo oposto. Deve ser considerado pelo projetista o seguinte:
a) segmentos da via onde o ofuscamento é conhecido por ser um problema, com base na experiência e/ou dados disponíveis;
b) Histórico de acidentes, comparando segmentos semelhantes da via, onde há um maior número de acidentes que a média atribuída ao brilho ou com brilho do farol sendo um fator contribuinte, no relatório do acidente;
c) três ou mais das seguintes características são atendidas:
Canteiro central ou lateral menor do que 6 m e considerando as pistas niveladas;
VDM superior a 20 000 veículos por dia;
Porcentagem maior do que a usual (25%) de veículos pesados presentes;
Ausência de iluminação da via.
Circunstâncias especiais de projeto podem justificar a instalação de dispositivos antiofuscantes em canteiros centrais mais largos, ou em acostamentos laterais, visando, neste caso, evitar interferências com sistemas de iluminação vizinhos e/ou bloquear a luz que pode penetrar em matas e florestas.
Pode ser instalado sobre dispositivos de contenção veicular.
Figura 8.2
A Barreira Antiofuscamento Natural é constituída de vegetação formada por arbustos plantados ao longo do canteiro central de forma adequada para eliminar ou minimizar o ofuscamento dos condutores provocado pelos faróis dos veículos que circulam na pista oposta (Figura 8.2).
A vegetação deve ser composta por arbustos resistentes à ação de gases emitidos pelos veículos automotores.
Figura 8.3
A barreira acústica é um dispositivo utilizado para bloquear a propagação do som proveniente dos veículos automotores, minimizando a sua intensidade nas áreas adjacentes à via (Figura 8.3).
É constituída dos mais diversos materiais, como placas de concreto armado ou leve, paredes de alvenaria convencional, madeira, chapas transparentes em acrílico ou material similar, entre outros com alta capacidade de absorção e dissipação de ondas sonoras, mitigando os seus efeitos.
A atenuação do ruído está diretamente relacionada com a geometria e dimensões da barreira acústica, bem como com o seu material, forma e textura.
A determinação da altura da barreira acústica está diretamente relacionada com o resultado final da atenuação sonora e com o seu efeito plástico sobre a paisagem e deve ser estudada criteriosamente caso a caso pela engenharia. Sua altura mínima é de 1,50m (Figura 8.4).
Figura 8.4
A barreira acústica pode ser utilizada em via, trecho de via ou área que possui ocupação urbana lindeira sensível ao ruído proveniente dos veículos automotores.
Para sua melhor eficácia, a barreira acústica deve ser projetada e implantada de modo a interceptar a maior porcentagem possível de raios sonoros retilíneos que incidem diretamente sobre o receptor, bem como os provenientes de sua reflexão sobre o solo. Com isso, uma porcentagem das ondas sonoras volta para a fonte (A), outra alcança o receptor, de forma mais atenuada, por vibração (B) ou por difração de topo (C) (Figura 8.5).
Figura 8.5
A escolha do local de implantação da barreira acústica deve levar em consideração que a propagação do som ocorre em todas as direções e as variações de intensidade estão diretamente relacionadas ao posicionamento da fonte (trânsito) em relação ao receptor (conjunto habitacional, por exemplo), à ventilação e à temperatura ambiente.
O comportamento dos raios sonoros indica que a barreira acústica deve ser implantada o mais próximo possível da fonte sonora quando esta se localiza no mesmo nível ou em plano mais elevado que o receptor (Figura 8.6).
Figura 8.6
Nos casos em que o receptor se encontra em plano mais elevado, a barreira acústica deve ser implantada mais próxima a ele (Figura 8.7).
Figura 8.7