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6 DISPOSITIVOS DE CONTENÇÃO VEICULAR

6.1 Dispositivo de Contenção Longitudinal................................................................................................................................... 96

6.1.1 Defensa Metálica............................................................................................................................................................. 97

6.1.2 Barreira de Concreto ....................................................................................................................................................... 99

6.1.3 Barreira Metálica Removível ......................................................................................................................................... 102

6.2 Dispositivo de contenção pontual......................................................................................................................................... 104

6.2.1 DISPOSITIVO AMORTECEDOR DE IMPACTO .................................................................................................................. 105

6.2.2 TERMINAIS DE DISPOSITIVOS DE CONTENÇÃO LONGITUDINAIS .................................................................................. 108

São dispositivos instalados na via com o objetivo de conter, absorver energia de impacto e redirecionar os veículos desgovernados, reduzindo a gravidade do acidente, impedindo que estes invadam zonas perigosas ou alcancem um obstáculo fixo, protegendo, desta forma, os usuários da via e reduzindo as consequências do acidente conforme normas técnicas da ABNT.

Os dispositivos de contenção veicular podem ser classificados em dois grupos:

Dispositivo de Contenção Longitudinal

Dispositivo de Contenção Pontual

Todo projeto viário deve atentar para a segurança viária, buscando minimizar a ocorrência e a severidade dos acidentes. Deve prioritariamente providenciar uma zona livre de obstáculos e riscos, conforme critérios estabelecidos nas normas técnicas da ABNT. Quando isso não for possível, deve-se projetar e detalhar os dispositivos de segurança que serão necessários bem como providenciar a infraestrutura apropriada que permita a sua correta instalação, com largura de plataforma adicional, plana e compactada, sem interferências que comprometam seu acionamento adequado, de modo a propiciar uma implantação segura, conforme disposto nas normas técnicas da ABNT.

Os dispositivos de contenção veicular são necessários nas seguintes situações:

Existência de obstáculos fixos;

Existência de taludes críticos, não recuperáveis e não transpassáveis;

Estruturas de drenagem lateral agressivas;

Presença de usuários vulneráveis (pedestres e ciclistas);

Qualquer outra situação que exija a contenção de veículos errantes.

Na escolha do tipo de sistema de contenção a ser utilizado em um determinado trecho ou ponto, deve-se levar em consideração todos os critérios definidos nas normas técnicas da ABNT.A situação deve ser analisada criteriosamente para a determinação dos locais onde é necessária a implantação de dispositivo de contenção longitudinal ou pontual, seu tipo, sua extensão, sua locação, as ancoragens e os terminais mais adequados, de modo a preservar a segurança dos usuários.

6.1 Dispositivo de Contenção Longitudinal

São dispositivos instalados longitudinalmente ao longo da lateral da via ou como separadores em canteiro central ou nas bordas de pontes, com o objetivo de conter, absorver energia de impacto e redirecionar os veículos desgovernados que saiam da faixa de rodagem.

De acordo com a sua capacidade máxima de deflexão no impacto, os sistemas de contenção podem ser classificados em: flexível, semirrígido ou rígido. Os tipos mais conhecidos são:

a) Sistema flexível

Defensa metálica de dupla onda;

Defensa com cabos de aço;

Defensa de madeira reforçada com aço.

b) Sistema semirrígido

Defensa metálica de dupla onda;

Defensa metálica de tripla onda;

Defensa metálica de tripla onda modificada;

Defensa de madeira reforçada com aço;

Barreira metálica modular;

Barreira de concreto pré-moldada.

c) Sistema rígido

Barreira de concreto tipo “New Jersey”;

Barreira de concreto tipo “F”;

Barreira de concreto tipo “Inclinação Constante” (Single Slope);

Muro de concreto liso vertical.

As diretrizes para elaboração de projetos de dispositivos de contenção viária estão diretamente relacionadas com as características geométricas, velocidade, composição do tráfego e presença significativa de pedestres e ciclistas, entre outras, permitindo a avaliação da necessidade e a escolha do tipo mais adequado para a situação. Devem estar de acordo com as normas técnicas da ABNT.

Todo sistema de contenção deve ser iniciado e encerrado com segurança. Dessa forma, todo terminal de defensa metálica e barreira de concreto ou metálica, que tenha a possibilidade de ser impactado, deve ter características que minimizem os efeitos do impacto sobre o veículo e seus ocupantes.

Em locais com volumes significativos de motocicletas, bicicletas e pedestres, não deve ser utilizada defensa com cabos de aço flexível, principalmente, em via urbana e via rural com características de via urbana.

Neste Manual, são tratados os dispositivos de contenção longitudinal dos tipos “defensa metálica”, “barreira de concreto” e “barreira metálica”, podendo ser utilizados outros tipos, desde que devidamente normatizados pela ABNT.

6.1.1 Defensa Metálica

Figura 7.1

A defensa metálica é um dispositivo de proteção contínua deformável, constituído de uma estrutura metálica que possui forma, resistência e dimensões projetadas para conter e redirecionar veículos desgovernados (Figura 7.1).

A defensa metálica deve atender às especificações das normas técnicas da ABNT, conforme classificação de desempenho mediante ensaio de impacto.

O uso de defensa metálica é determinado pela análise das características do local, conforme critérios estabelecidos nas normas técnicas da ABNT, que indicam o modelo mais adequado para o nível de contenção desejado e o espaço de trabalho disponível em relação à deflexão máxima do sistema. As defensas podem receber elementos de proteção para motociclistas, de modo a minimizar a severidade do acidente.

A defensa metálica deve ser implantada de acordo com as normas vigentes, formando um sistema contínuo, preferencialmente sem aberturas ou interrupções.

Em local onde ocorre a necessidade de interromper a defensa para permitir a passagem de pedestres, devem ser observados os critérios construtivos de uma abertura segura, conforme estabelecido em norma técnica da ABNT.

Todo terminal de defensa metálica sujeita a impacto por um veículo deve possuir características para minimizar os efeitos sobre seus ocupantes. O terminal deve ser desviado, ancorado no talude de corte ou complementado com dispositivo de contenção pontual, sendo vedado o uso de terminal aéreo frontal ao fluxo de veículos.

Terminal abatido sem desvio só pode ser utilizado em trechos com velocidade inferior a 60 km/h e deve ser enterrado.

Em trecho sem acostamento, a defensa metálica deve estar acompanhada de sinalização horizontal ― linha de bordo, afastada no mínimo 1,00m da faixa de trânsito ― admitindo-se um mínimo de 0,50m em via rural e via urbana.

Deve ser utilizado balizamento retrorrefletivo na defensa, conforme item 4.2 deste Manual.

O terminal de defensa voltado para o fluxo veicular deve conter dispositivo de contenção pontual, conforme a necessidade de projeto e as características do local.

6.1.2 Barreira de Concreto

Figura 7.2

A barreira de concreto é um dispositivo ou sistema de segurança, rígido e contínuo, destinado a ser implantado ao longo das vias públicas, com forma e dimensões tais que, quando colididos por veículos desgovernados, reconduzam estes veículos à pista com desacelerações suportáveis pelo corpo humano e com os menores danos possíveis aos veículos e ao próprio dispositivo, de modo a evitar que estes veículos tenham seus acidentes agravados por outros fatores, como por exemplo: travessia de canteiro central seguida de choque frontal contra outro veículo, quedas em precipícios, colisão com elementos fixos, como pilares de obras de arte especiais, postes de utilidade pública, árvores, postes de sinalização.

As barreiras de concreto podem ser constituídas de superfícies de deslizamento.

Quanto à forma, a barreira de concreto pode ser:

Simples – dotada de uma superfície de deslizamento e usada, em geral, na borda da pista (Figura 7.9);

Dupla – dotada de duas superfícies de deslizamento e usada para separar fluxo entre pistas, (Figura 7.3).

Barreira simples Barreira dupla Figura 7.3

Quanto ao tipo, associado à sua seção transversal, a barreira de concreto pode ser:

Tipo New Jersey;

Tipo “F”;

Tipo Inclinação Constante (Single Slope);

Muro liso vertical.

Quanto ao sistema de fixação, a barreira de concreto pode ser:

Fixa – implantada com fundação.

Pré-moldada – constituída de módulos interconectados por sistemas de pinos, ganchos ou barras de transferência, sendo admitido pequeno deslocamento lateral no caso de impacto de modo a reduzir sua severidade. Não devem ser utilizados blocos soltos de barreira de concreto, sem a adequada conexão entre peças adjacentes, mesmo em situações de uso temporário.

A barreira de concreto deve atender às especificações das normas técnicas da ABNT.

O uso de barreira de concreto é determinado pela análise das características do local e a necessidade de sua utilização, a fim de que se escolha o modelo mais adequado, conforme critérios estabelecidos nas normas técnicas da ABNT, que indicam o modelo apropriado para o nível de contenção desejado e o espaço de trabalho disponível.

Podem ser usadas barreiras em caráter temporário em obra de média ou longa duração, propiciando condições de segurança.

A barreira de concreto deve ser implantada atendendo às normas vigentes, formando um sistema contínuo, sem aberturas ou interrupções. Além disso, em local onde há a necessidade de interromper a barreira para permitir a passagem de pedestres e devem ser observados os critérios de abertura segura, conforme estabelecido em norma técnica da ABNT.

Todo terminal de início de barreira que possa ser impactado por um veículo deve possuir características para minimizar os efeitos desse impacto. O terminal deve ser desviado, ancorado no talude de corte ou complementado com dispositivo atenuador de impacto, sendo vedado o uso de terminal com parede vertical.

A barreira deve ser instalada a uma distância mínima de 1,00m da borda da pista ou do acostamento. Excepcionalmente, pode ser admitida a distância de 0,60m.

Em trecho sem acostamento, a barreira de concreto deve estar acompanhada de sinalização horizontal – linha de bordo, distante no mínimo 1,00m da faixa de trânsito, admitindo-se um mínimo de 0,60m em via rural e via urbana de trânsito rápido e de 0,50m nas demais vias urbanas.

Deve ser utilizado balizamento retrorrefletivo na barreira, conforme item 4.2.

O terminal de início da barreira pode conter dispositivo de contenção pontual conforme a necessidade do projeto e das características do local.

6.1.3 Barreira Metálica Removível

Figura 7.4

A barreira metálica removível é um dispositivo de proteção contínua constituído de uma estrutura metálica que possui forma, resistência e dimensões projetadas para conter e redirecionar veículos desgovernados.

Devem seguir as características, dimensões e níveis de contenção estabelecidos nas normas técnicas da ABNT para barreiras removíveis certificadas.

O uso de barreira metálica removível é determinado pela análise das características do local, conforme critérios estabelecidos nas normas técnicas da ABNT, que indicam a possibilidade de sua utilização, considerando o nível de contenção desejado e o espaço de trabalho disponível, nas situações em que se necessita separar fluxos entre pistas ou de contenção lateral.

É usada em caráter temporário, no caso de obras de média ou longa duração, propiciando condições adequadas de segurança.

A barreira metálica removível deve ser implantada atendendo às normas vigentes, formando um sistema contínuo sem aberturas ou interrupções, com intertravamento entre módulos.

Além disso, em local onde há a necessidade de interromper a barreira para permitir a passagem de pedestres, devem ser observados os critérios de abertura segura, conforme estabelecido em norma técnica da ABNT.

Todo terminal de início de barreira que possa ser impactado por um veículo deve ter características para minimizar os efeitos sobre seus ocupantes. O terminal deve ser desviado, ancorado no talude de corte ou complementado com dispositivo de contenção pontual, sendo vedado o uso de terminal com parede vertical.

Deve ser utilizado balizamento retrorrefletivo na barreira, conforme item 4.2 deste Manual.

O terminal de início da barreira pode conter dispositivo de contenção pontual, conforme a necessidade do projeto e das características do local.

6.2 Dispositivo de contenção pontual

O dispositivo de contenção pontual é um dispositivo instalado em ponto específico com o objetivo de conter, absorver energia de impacto dos veículos desgovernados que possam impactar em obstáculos fixos, e, também, nas extremidades de dispositivos de contenção longitudinal.

O dispositivo de contenção pontual emprega dois conceitos básicos: o de absorver energia cinética proporcionando desaceleração suportável aos ocupantes do veículo; o controle da desaceleração do veículo em níveis suportáveis ao corpo humano.

O primeiro conceito envolve absorção da energia cinética de um veículo em movimento por “capacidade de compressão” ou “deformação plástica” dos materiais.

O segundo é o controle da desaceleração do veículo em níveis suportáveis ao corpo humano, não transferindo as forças do impacto ao obstáculo a ser protegido.

6.2.1 DISPOSITIVO AMORTECEDOR DE IMPACTO

Figura 7.5

É um dispositivo autoportante, fixo ou móvel, que não tem dependência estrutural com o dispositivo de contenção longitudinal, de forma a não transferir energia cinética do impacto.

Possui a capacidade de absorver energia a uma taxa controlada, parando o veículo impactante em distância relativamente curta, e de uma forma que reduza o potencial de ferimentos severos nos ocupantes.

O dispositivo amortecedor de impacto fixo ou móvel apresenta vários modelos, conforme Figuras 7.6 e 7.7 cuja estrutura se retrai ao receber o impacto, absorvendo a energia cinética do choque.

Esses dispositivos variam tanto na largura quanto na direção longitudinal, adaptando-se à configuração do local, ou ao veículo que está o conduzindo.

As larguras variam entre os diversos modelos ensaiados e podem ser adaptados para a velocidade de projeto do local em que forem instalados, e deve proteger a largura total do obstáculo fixo.

Os dispositivos amortecedores de impacto podem ser rediretivos, quando, além de suportar impacto frontal, são capazes de redirecionar o veículo em impacto lateral, ou não rediretivos, quando não têm a capacidade de redirecionar o veículo perante impacto lateral, ou seja, funcionam somente para impacto frontal.

Figura 7.6

Figura 7.7

Os atenuadores de impacto são ideais para locais onde os obstáculos fixos não podem ser removidos, relocados, feitos colapsíveis, ou adequadamente protegidos por barreiras e defensas longitudinais, por exemplo, em bifurcações, cabines de pedágio, colunas de viaduto. Primordialmente, eles servem para reduzir a severidade dos acidentes.

Outro uso para os atenuadores de impacto está na proteção de zonas de obras e de equipes de manutenção, sendo que unidades portáteis ou temporárias foram desenvolvidas para este fim, assim como unidades de atenuadores montados em caminhão (AMC) para proteção dos trabalhos e das equipes.

O dispositivo amortecedor de impacto é determinado pela análise das características do local, conforme critérios estabelecidos nas normas técnicas da ABNT.

Os dispositivos amortecedores de impacto podem ser sinalizados com marcador de perigo e acompanhado de marcas de canalização.

6.2.2 TERMINAIS DE DISPOSITIVOS DE CONTENÇÃO LONGITUDINAIS

É um conjunto de dispositivo de contenção longitudinal que permite ancorar o sistema começando na altura de projeto do dispositivo até a extremidade totalmente enterrada ou tipo de terminal acoplado ao dispositivo de contenção longitudinal que, ao ser impactado frontalmente, absorve a energia cinética do veículo errante.

Todo terminal de dispositivo de contenção longitudinal que tenha a possibilidade de ser impactado deve ter características de minimizar os efeitos do impacto.

Devem seguir as características e dimensões estabelecidas nas normas técnicas da ABNT.

Quanto ao tipo, os terminais podem ser:

Terminal abatido;

Terminal absorvedor de energia;

Terminal em defensa defletida;

Terminal desviado.

O terminal de dispositivo de contenção longitudinal é determinado pela análise das características do local, conforme critérios estabelecidos nas normas técnicas da ABNT.

O terminal deve ser implantado de acordo com as normas técnicas da ABNT.

O terminal de dispositivo de contenção longitudinal pode ser sinalizado com marcador de perigo